Países devem pensar juntos para garantir a vida de nossa espécie e não do planeta

O que está em jogo neste momento em Doha, no Catar, onde quase 200 países se reúnem para a 18ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-18), não é exatamente a salvação do planeta.

Sim, se o aumento da temperatura global não for freado, e chegar aos 4º Celsius a mais até 2060, como prevê um relatório recém-lançado do Banco Mundial, o cenário será aterrorizador. Porém, não será o suficiente para destruir a Terra, mas sim os seres humanos.

– Com 4°C a mais, os níveis dos mares mundiais subirão de 0,5 a 1 metro até 2100 (com o acréscimo de 15% a 20% nos Trópicos), inundando diversas cidades e ilhas;
– A água marinha se tornará tão ácida que exterminará os recifes de corais, o que comprometerá toda a vida marinha uma vez que é os corais possuem a base da cadeia alimentar;
– O Mediterrâneo, o norte da África, o Oriente Médio e os Estados Unidos terão ondas de calor mais fortes, ficando até 6°C mais quentes;
– A seca aumentará de 15,4% da área plantada no mundo para cerca de 44%; o fluxo de grandes rios como o Amazonas, Danúbio e Mississipi pode reduzir de 20% a 40%, causando problemas de abastecimento, transportes e irrigação. Por outro lado, outros como o Nilo e o Ganges, podem crescer até 20%, causando inundações.
O economista Sérgio Besserman, lembra que, apesar de todo nosso aparato científico-tecnológico, a humanidade não possui força suficiente para destruir o planeta.

“O nosso tempo é um. O da natureza é completamente diferente. Se a humanidade existisse na época da extinção dos dinossauros, nossa chance de sobrevivência seria zero. Mas, de qualquer forma, pouco mais de 5 milhões de anos depois a natureza se recupera”, afirmou Besserman, durante palestra no Agenda Bahia, evento que realizado dia 13 de novembro, em Salvador.

Presidente da câmara técnica de desenvolvimento sustentável e coordenador de clima da prefeitura do Rio de Janeiro, Sérgio Besserman lembra que estamos prestes a testemunhar mudanças com consequências desconhecidas, a exemplo da extinção de 30% das espécies de seres vivos, a grande maioria não devidamente conhecida pela ciência, proporcionando riscos, como mandar para o espaço seres que poderiam fornecer a cura do câncer ou da AIDS.

“Nós não agimos coletivamente, ainda nos dividimos como israelenses e palestinos. Como humanos que somos, teremos que ser diferentes, o que nunca fomos: a humanidade”
Sérgio Besserman, economista
As mudanças climáticas podem causar efeitos em cascatas, de acordo com ele, como o derretimento do solo congelado da Sibéria, detentor de cinco vezes mais metano do que o que emitimos nos últimos séculos.

No Brasil, Besserman destacou que cidades costeiras, como São Luís, no Maranhão, estão na lista para serem seriamente atingidas pelo aumento do nível do mar, porém não possuem planejamento de mitigação. “São Luís não se preparar para isso é um crime”, disse. No cenário mais otimista, a ONU projeta o surgimento de mais de 255 milhões refugiados ambientais em todo mundo, segundo conta.

O planeta vai se ajustar a tragédia ambiental iminente no tempo dele, enquanto nós precisaremos nos adaptar desde já, para Besserman. Assim, estamos diante da extinção provável da humanidade enquanto espécie, e não da destruição do planeta, como alguns crêem.

O pesquisador assinalou que estamos em um momento “decisivo” da história da humanidade e precisamos de uma revolução, não só tecnológica, como comportamental. “Nós não agimos coletivamente, ainda nos dividimos como israelenses e palestinos. Como humanos que somos, teremos que ser diferentes, o que nunca fomos: a humanidade”, ressaltou, questionando a capacidade do ser humano de pensar a longo prazo.

Agir em nome da coletividade significa, na maior parte das vezes, abrir mão de luxos individuais. É o caso da redução do consumo de carne vermelha de três a quatro vezes por dia para três ou quatro vezes ao ano, o que, segundo ele, resolveria de 10% a 15% o problema climático global.

Esperança

watch?feature=player_embedded&v=B11kASPfYxY

É esse desafio, de agir em prol do futuro da nossa espécie independentemente das nuances regionais, que encaram agora as delegações dos mais de 190 países reunidos em Doha. Como bem ilustra o vídeo acima (vale a pena parar um minutinho para assisti-lo), há duas décadas que as ações para mitigar as mudanças esbarram nos interesses nacionais.

No primeiro dia da COP-18, 26 de novembro, o diretor do programa de clima e energia do Instituto de Recursos Mundiais, Jonathan Pershing, afirmou que a urgência do debate o deveria inserir automaticamente nos debates de outros fóruns, como o do G20, o que na prática não acontece.

“Às vezes, dá a impressão de que esperam que os países em desenvolvimento liderem o movimento. Mas se os países desenvolvidos não são ambiciosos, como esperar ambição dos países em desenvolvimento?”, discorreu o embaixador brasileiro André Côrrea do Lago, durante coletiva na COP-18, revelando a ainda existência do impasse entre as nações mais ricas e as que querem ainda crescer a qualquer custo.

A esperança mais concreta é que a COP-18 defina a segunda rodada de compromissos do Protocolo de Kyoto, acordo que expira no próximo 31 de dezembro, com metas obrigatórias assumidas pelos países desenvolvidos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Mas o temor é que os impasses em torno de questões polêmicas, como os cálculos e permissões para essas emissões, atrasem os acordos.

“Vejo esta COP como o fechamento de um capítulo e o começo de outro”, disse Lago. Virada de página que a proximidade do prazo para o término do Protocolo de Quioto não deixa dúvidas. Resta agora saber se o tom das próximas linhas estará afinado com as páginas restantes do livro.

Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2012/novembro/cop18-paises-devem-pensar-coletivamente-para?tag=clima

Sobre a DryWash

A DryWash é uma empresa-modelo em limpeza e conservação automotiva, que não utiliza água no processo de lavagem, além de ser comprometida com a sustentabilidade, visando o desenvolvimento e a qualidade de vida dos colaboradores e da comunidade e o cuidado com o meio ambiente. Sua história começou em 1994 e, atualmente, a marca é composta por uma rede de franquias, uma franqueadora que oferece suporte administrativo para franqueados e ainda uma indústria química que produz toda linha de produtos DryWash e também para outras empresas no modelo Private Label.
Mais informações: www.drywash.com.br

Sobre DryWash

Rede especializada em produtos e serviços para limpeza e conservação de veículos. Com foco em desenvolvimento sustentável, inovação e qualidade.
Adicionar a favoritos link permanente.