Cinco momentos de 2012 que podem significar mudança para o planeta

O mundo muda sem parar, e atualmente a mudança tem se tornado cada vez mais rápida e intensa. 2012 foi um ano cheio de acontecimentos grandes, alguns bons, outros ruins, mas todos com um impacto enorme na estrutura mundial atual.

Traduzimos para vocês o texto abaixo, postado originalmente pela Camilla Toulmin no site do IIED (International Institute for Enviroment and Development, ou Instituto Internacional para o Meio Ambeinete e Desenvolvimento), no qual 5 eventos importantes e que podem significar uma mudança no mundo em 2012 são citados e explicados.

2012 nos trouxe algumas verdades duras sobre a dificuldade de se construir um futuro mais justo, mais sustentável. Mas existem alguns raios de sol brilhando através do céu cinza escuro. Aqui está a minha seleção de grandes eventos e não-eventos deste último ano que poderiam ter uma repercussão de longo prazo sobre o desenvolvimento sustentável do nosso planeta.

1. Furacão Sandy. Com a trágica perda de centenas de pessoas e danos que ultrapassam os 30 bilhões de dólares, quantos furacões como o Sandy serão necessários para que haja uma onda de mudanças na política climática dos EUA? Alguns especialistas nos dizem que houve uma grande mudança de opinião nos dias que se seguiram ao furacão, mas estas novas percepções tendem a fraquejar, uma vez que a TV não mostra as casas danificadas e os bairros devastados.

Será que a seca do centro-oeste, que cortou um terço das colheitas em 2012 ajudou a mudar mentes e encorajar os norte-americanos a entender que o aquecimento global traz padrões climáticos poderosos e incertos? Algumas pessoas dizem que as atitudes são formadas menos de provas e muito mais do que os seus amigos e vizinhos acreditam, o que sugere que não serão apenas furacões e secas que irão ajudar a mudar mentes.

Enquanto as casas ao redor do mundo são vulneráveis às mudanças climáticas, se você está desabrigado por conta das enchentes, você se sairá bem na América, com orçamentos de 60 bilhões de dólares oferecidos para ajudar a compensar os danos às propriedades e a construir novas defesas contra inundações. A história é muito diferente se você é de Bangladesh, argumentando por indenização por perdas e danos do aquecimento global causado pelos outros.

E o Reino Unido? Será que o clima excepcionalmente úmido dos últimos nove meses vai ajudara mudar mentes, também? A maior parte da Inglaterra bateu o recorde de ano mais úmido, e os estragos ultrapassam bilhões de libras. Enquanto eu escrevo, algumas partes do país ainda estão com água de enchente acima do joelho. Em algum momento, eu espero, as pessoas vão ver os custos de não fazer nada para cortar as emissões do efeito estufa subindo, e irão pressionar o governo para cortar o carbono do nosso sistema.

2. A transferência da liderança chinesa. Mesmo para os observadores novatos da China, tem sido fascinante assistir a dança de príncipes políticos e populistas enquanto eles tentam se manter no centro do palco. Manter uma fachada educada tem sido uma luta nos bastidores das maiores facções, nas quais Xi e Li surgiram vencedores. Como nota Isabel Hilton, nós estamos quase de volta nos anos 70, quando os políticos sem sorte desapareceram e foram escovados para fora dos registros oficiais.

Que diferença fará para a China tratar de questões ambientais e sociais a nível nacional? Como Selena Wang Thomas descreve, nós não estamos prestes a ver uma grande mudança de direção da nova liderança. Depois de uma década de crescimento econômico rápido, acompanhado pelo aumento da desigualdade e danos na integridade da ecologia nacional, existe espaço para uma enorme mudança. Mas com Xi no comando, dada a sua reputação de cautela, é improvável que isso ocorra. Isso significa que a mudança deve vir das pessoas na base, exigindo uma maior responsabilização dos políticos, burocratas e líderes empresariais. O crescimento das ONGs, mídias sociais e grupos de protestos poderia chamar a atenção para isso.

3. O sucesso nas eleições no Senegal. Depois de quatorze anos de Presidente Abdoulaye Wade, a votação esmagadora para Macky Sall foi uma “grande vitória para a democracia na África”. Por que isso é tão importante? Aos 50 anos ele é relativamente jovem e o primeiro Africano nascido no Oeste após o colonialismo a ser eleito. Sall ofereceu um contraste muito bem-vindo ao Wade. Ao invés de tentar estender mais ainda seu poder (como Wade tinha tentado fazer, através de um terceiro mandato), Sall reduziu o mandato presidencial de sete para cinco anos, e procura estabelecer um estado responsável que trabalhe para as pessoas.

A estabilidade do país e a pacífica transição eleitoral contrastam, infelizmente, com a falta de boa governança e os conflitos que assolam muitos dos outros vizinhos da África Ocidental. A Guiné-Bissau, por exemplo, que historicamente tem sido atingida por golpes de Estado, sofreu outro em abril de 2012. Isso resultou em uma tomada pelos militares, um aumento considerável no tráfico de drogas e interferência no mercado de castanha de caju do país, que tem afetado radicalmente os agricultores.

Para o vizinho oriental do Senegal, Mali, 2012 também tem sido, de acordo com o político e mediador de Mali, Tiébilé Dramé, um verdadeiro annus horribilis. O sul do país está preso no vácuo, com um governo fraco e a interferência dos militares, enquanto os jihadistas obstinados no norte impõem a lei Sharia em um povo sofredor. Meio milhão de pessoas escaparam do conflito em campos de refugiados nos países vizinhos. Parece que 2013 trará uma intervenção militar da ONU para desalojar os islamitas, mas, dado o tamanho do país, os enormes campos abertos e fronteiras, muita gente teme que Mali poderá se tornar o próximo Afeganistão.

4. A Reeleição do Obama. Enquanto Romney e seus aliados republicanos teriam sido terríveis para o meio ambiente, muitos ambientalistas estão desiludidos com a falta de ação do Obama contra as mudanças climáticas. No entanto, nomear John Kerry como Secretário de Estado indica que ele está se tornando sério sobre as mudanças climáticas. Em um discurso forte antes da Rio+20, Kerry compara a visão e energia mostradas há 20 anos pelo então presidente dos EUA, Bush pai, com a paralisia de hoje: “Quão dramático e triste é que vinte anos depois, surpreendentemente, nós nos encontramos em uma posição estranha e perigosa sobre a questão – uma posição que este ex-presidente sequer reconheceria. Quando se trata do desafio da mudança climáticas, a falsidade dos opositores de hoje só é igualada pela complacência de nosso sistema político… Nós deveríamos estar compelidos a lutar contra a conspiração insidiosa do silêncio sobre as mudanças climáticas – um silêncio que fortalece a desinformação e mitologia, onde na verdade deveria prevalecer a ciência e a verdade.” Com Kerry apoiando uma política de mudanças climáticas muito mais visível e engajada, talvez possamos criar um impulso para atual moribundo processo global.

5. Os não-eventos: cúpulas globais do ar quente. Nós temos visto várias cúpulas mundiais ao longo dos últimos doze meses que geraram muito ar quente, mas nenhum progresso significativo – como a conferência do Rio em Junho, e as negociações sobre o clima em Doha em Dezembro, a COP18. Um raio de esperança para os países mais pobres e vulneráveis às mudanças climáticas foi criado por Saleemul Hug, membro sênior do IIED com o grupo de mudanças climáticas: foi acordada a tentativa de criação de um mecanismo internacional que compensaria comunidades vulneráveis pelas perdas e danos causados pelos efeitos das mudanças climáticas no futuro.

Mas tem se tornado claro que a maior parte dos governos é liderada por pessoas com pouco apetite por ações globais. As crises econômicas e financeiras extinguiram qualquer energia política e capital que eles tinham em estoque. Pesquisadores seniores do clima na Alemanha argumentam que nós devemos abandonar um processo que oferece nada mais do que um acordo para continuar falando. Mas se nós não vamos progredir através de COPs convocadas pela ONU, que outras arenas nos restam para que países ricos e pobres possam buscar soluções coletivas? Nosso trabalho mostrou que os membros do parlamento – de país a país – podem ajudar a romper o impasse internacional sobre a ação da mudança climática usando a legislação nacional e nós estamos realizando, a longo prazo, programas para catalisar esses processos.

Texto original: Five moments from 2012 that could spell change for the planet, Camilla Toulim.

Tradução e adaptação: Equipe DryWash.

Sobre DryWash

Rede especializada em produtos e serviços para limpeza e conservação de veículos. Com foco em desenvolvimento sustentável, inovação e qualidade.
Adicionar a favoritos link permanente.